quinta-feira, 8 de março de 2007

Terceiro

- Bebe.

- Bebe o quê, Carol?

- O que eu vou soltar agora. Agora, bebe que eu tô mandando.

Carolina, menina de doze anos, estava sentada sobre a boca de Lavínia, de quinze, enquanto puxava seus cabelos com força. As duas meninas estavam nuas, em cima da cama do quarto da casa de Lavínia. Carol, durante a consumação do ato (o primeiro de ambas), obrigara Lavínia a chupar-lhe a vagina com força, como se fosse um sorvete de chocolate – estava sentada sobre a cabeça da amiga, impondo-lhe todo o peso sobre ela. Com a boca e a língua espetadas por causa dos crescentes pêlos pubianos de Carol, Lavínia começava a chorar, num misto de dor, pavor e tesão.

- Bebe, sua cachorra – ordenava Carol, em tom de desafio. – Entre nós duas é assim: eu mando, você obedece. Não adianta você chorar, estamos só nós duas aqui. Sua mamãezinha e seu papaizinho não vão te socorrer, porque ela tá dando pro patrão e ele tá dando pros soldados no quartel. Bebe!

Um segundo depois, Carol urinou sobre a boca aberta de Lavínia, e riu esfuziantemente, enquanto lágrimas corriam dos olhos da vizinha mais velha.

As duas meninas eram vizinhas no subúrbio. Era o ano de 1980, e o Brasil começava a viver um período de abertura política. Carol era filha de mãe solteira, e morria de inveja da família feliz de Lavínia, filha única de uma vendedora e de um capitão do Exército. Um dia o pai de Lavínia foi transferido, a família dela se mudou e Carol ficou até triste, sem ter ninguém pra humilhar. Mas a sua orientação sexual estava definida, havia tempos.

Carolina Bezerra nasceu em abril de 1968, pouco antes do início do endurecimento do regime militar. Filha de uma costureira que tinha 34 anos quando ela nasceu, nunca conheceu o pai – embora haja suspeitas entre os vizinhos de que o pai tenha sido um garoto de 13 anos, sobrinho de um vizinho, que a dopara. E é bem provável que seja verdade, pois a pequena Carol se acostumou, durante a infância e a pré-adolescência, a ouvir a mãe constantemente falando mal dos homens enquanto costurava as roupas para os clientes. E nunca viu a mãe namorando alguém na vida. Mas Carol era a grande razão de sua mãe viver.


De tanto ouvir a mãe falando mal de homem, Carol começou a olhar as menininhas do bairro onde vivia. Isso começou a ser feito quando ela tinha cerca de nove anos, mesma época em que ela começou a se masturbar acariciando as partes íntimas. Lavínia foi somente a sua primeira “namoradinha”. E, durante muito tempo, única: o que Carol tinha de safadinha, tinha de encabulada. Na época, o homossexualismo feminino não era bem visto – ainda mais em adolescentes. Carol só possuiu Lavínia porque esta era uma menina fraca, subserviente ao pai militar que dominava a família – a isca perfeita, visto que Carol só queria saber de cama, não pensava em amor.

Contraditoriamente, Carol atraía a atenção dos meninos (durante a puberdade, os seios eram empinados, o bumbum farto e – nem precisava tanto – tinha um rosto bonitinho, nariz afilado e olhos verdes), mas ela nem dava bola. Recusou todos os convites dos colegas para sair e se divertir, dando-lhes desculpas esfarrapadas que eram engolidas por eles com prazer – eles babavam só de falar com ela.

Como dito, Carol era a razão de viver da mãe – e a recíproca era verdadeira, pois a mãe era a grande heroína da menina. Daí ter batido um grande desespero quando foi diagnosticado um câncer no útero em Marisa (o nome da mãe de Carol), nos idos de 1983. Durante a agonia, Marisa Bezerra foi tratada pelo Dr. Edivaldo Palmares, que dedicou muitos esforços para a recuperação.

No decorrer do tratamento, Carol foi se aproximando da família do Dr. Palmares. Conheceu a mulher e os dois filhos dele. O mais velho, Edgar, era quatro anos mais velho que ela e tinha ambições de seguir os passos do pai. Mas foi a caçula que mexeu com o coração da jovem Carol. Roberta, dezesseis anos (um a mais que Carol), bonita, tanto de rosto quanto de corpo, encantadora em todos os aspectos. A família Palmares era feliz, mas isso não despertava inveja em Carolina. Isso porque Roberta despertava paixões em Carol, sem se dar conta. Pela primeira vez na vida, Carolina estava apaixonada. A convivência fazia o amor de Carol por Roberta crescer ainda mais, embora ela lutasse contra a timidez e os tabus da época.

Em 1985, apesar da luta constante do Dr. Palmares, Marisa morreu. Carol tinha então dezessete anos. Como ela era menor e não tinha mais parentes vivos, a família Palmares decidiu cuidar dela. Todos ficaram felizes: Carol por ficar mais perto do seu amor secreto, Roberta por ter a amiga morando com ela, Edgar por ter a oportunidade de tirar o atraso e o respeitável Dr. Palmares por ter sua musa sempre perto – fascinado pelo corpo de Carol, ele se masturbava pensando nela sempre depois do tratamento do câncer de Marisa. Mas ele nunca lhe fez mal – ele amava a mulher, com quem era casado havia 23 anos e tinha uma vida sexual ativa. Como ninguém é de ferro, durante o ato sexual, Edivaldo fechava os olhos e pensava no bumbum de Carol. Nos seios de Carol. No que seria a vagina de Carol. A transa funcionava bem melhor, pensava.

Alguns meses depois, atendendo à rigidez paterna, Roberta esperou completar dezoito anos para arranjar um namorado. Era um colega da recém-iniciada faculdade de fisioterapia. Carolina, claro, se mordeu de ciúme, mas manteve a discrição. A primeira vez de Betinha (como ela a chamava) teria que ser com ela, como pensava.


No ano seguinte, Edgar finalmente tomou coragem e se declarou apaixonado por Carolina, assim que ela completou dezoito anos. O Dr. Palmares aceitou, desde que eles continuassem dormindo em quartos separados. (Ela dormia no quarto de Roberta e, não raro, se masturbava enquanto via a amiga dormir – Roberta dormia de bruços, às vezes somente de blusinha. Carol achava o bumbum de Betinha “bonitinho”.) Como Carol nunca tinha se envolvido com um homem antes, achou estranho – mas como Edgar e Roberta eram bem parecidos, aceitou, com as esperanças de usar suas fantasias.

Um ano mais tarde, o casal Palmares viajou, disposto a fazer sua segunda lua-de-mel – completava então 25 anos de casamento. Viajaram sozinhos para o Nordeste, deixando os filhos sós em casa. Lembrem-se do velho ditado: quando os gatos saem de casa, os ratos fazem a festa. Edgar, Roberta e Carolina aproveitaram esse fato. Betinha, à revelia dos outros, convidou o namorado pra passar um tempo na casa dela, aproveitando a viagem dos pais. Edgar e Carol, namorados havia um ano, planejaram o que seria a primeira vez. Para ele seria fácil encobrir uma hipotética perda de virgindade, pois fazia especialização em ginecologia... Para ela, seria meio esquisito receber algo “estranho” em seu corpo, considerando-se a opção sexual que escondia de todos que conhecia.

No quarto de Edgar, ele e Carol tiveram a primeira noite de amor. Ele gostou muito de entrar para a história da vida dela; ela vivia o “ineditismo” de ter ser corpo invadido por algo do sexo masculino... Mal imaginava o que a esperava.

Eram seis e meia da manhã. Edgar dormia profundamente. Carol se levantou, saiu do quarto dele e foi para o quarto de Roberta, para fazer o que fazia todas as noites: vê-la dormir. Diferentemente de outras vezes, porém, Betinha não dormia de bruços. Estava totalmente nua, com os seios para cima, e um leve sangramento a adornar-lhe a vagina... No banheiro perto do quarto, ouvia-se um barulho de chuveiro ligado. Concluído que Roberta perdeu a virgindade que deveria perder com ela, Carol teve um acesso de ódio contido. Enquanto o namorado de Roberta, que a deflorara, ainda tomava banho, Carol pegou lentamente um travesseiro que estava ao lado e começou a sufocar Betinha, com muita força. Isso durou cerca de três minutos.

(Abre-se um parêntese: se alguém tivesse visto a cena, certamente teria se impressionado com o alto grau de sensualidade, e teria até se esquecido que se tratava de um assassinato. A vida do corpo nu de Roberta, vinte anos, se esvaía por causa da força sensual de Carolina, dezenove anos, também nua. Carol estava de quatro, acima de Betinha, enquanto a sufocava. Enquanto matava o grande amor platônico de sua vida, Carol transpirava sensualidade por todos os poros. O bumbum e a vagina exalavam um perfume indescritível, fruto do prazer em acabar com aquela que, pra ela, deveria ter um único amor. Feche-se o parêntese.)

Consumado o ato, Carol discretamente colocou o travesseiro no mesmo lugar onde achara. Arrumou o lugar e saiu do quarto de Roberta, de fininho. Voltou ao quarto de Edgar, que ainda estava dormindo, e se deitou ao lado dele. Poucos segundos depois, o namorado de Roberta voltou ao quarto dela, e viu que ela não respirava. Desesperado, acordou o restante do pessoal, tentando salvar a vida dela. Tarde demais.

Foi diagnosticada morte súbita, o que foi uma surpresa, visto que Roberta gozava de saúde exemplar. Na verdade, o crime nunca foi descoberto, pois Carol não deixou vestígios – e ninguém iria desconfiar que alguém tivesse coragem de matar outra pessoa neste lugar sem um motivo aparente.

Aos poucos, com o passar dos anos, Carol foi gostando de Edgar, e de seu jeitinho encabulado. Em 1989, eles se casaram. Em fevereiro de 1992, tiveram um filho, a quem decidiram chamar Roberto, em homenagem à tia paterna.

Esse pode ser considerado um casamento feliz – Edgar Palmares é um médico ginecologista, que trabalha e mora no subúrbio, opção dele para ajudar os menos favorecidos, apesar de ter tido a opção de atender pacientes mais abastados. Quando vê uma paciente jovem bonitinha, espera-a terminar a consulta e deixar a sala para se recolher ao banheiro e dar asas à fantasia – nunca deixando o profissionalismo de lado, claro. Carolina Bezerra Palmares é secretária de uma grande empresa – desta vez, deixa a timidez de lado quando vê uma colega de trabalho ou estagiária bonita e com seios desejáveis para, discretamente, entrar em ação. Certa vez, ela foi a um motel com duas estagiárias e fez a festa, num ménage-à-trois feminino inesquecível. De vez em quando, procura prostitutas de seios fartos para se dedicar ao exercício da amamentação. Ao marido, dá a velha desculpa de reunião de negócios ou hora extra. Um casamento feliz.

3 comentários:

PATRICIA M. disse...

Inspiracao em Nelson Rodrigues? :-)

Irmâ Deise disse...

ô meu filho de Deus!!! O que é que é isso?? Coisa de Onanista!! Esse sítio tá condenado e sua alminha libidinosa também! Ô criatura! Coisa do Demo essas histórias. Em vez de dares combates aos nefandos e nefastos petistas ateus vulgo, petralhas, ficas detido com recreações pecaminosas que te condenarão aos mais profundos abismos infernais.
Apaga isso meu filho!!! Coisa de Petralha. Aposto que já fizeste corar essa boa moça que certamente entrou aqui por acaso. Glória! Falta-me o ar!!!

PATRICIA M. disse...

AHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHHAHAHAHAHAHAHAH essa irma Deise eh muito engracada, ai meu Deus, que rolo de rir... Falta-me o ar de tanto rir!!!!!!